segunda-feira, 1 de setembro de 2008

CARTA AO HOMEM


Carta ao Homem
Por Pedro J. Bondaczuk
O caminho do sucesso é estreito e acidentado e quando as pessoas conseguem obtê-lo, às vezes se decepcionam por não se sentirem felizes com os resultados. Aliás, trata-se de um conceito bastante subjetivo, este que se refere ao êxito, com significados diferentes de um indivíduo para outro.É algo que não se obtém por acaso. Precisa ser cuidadosamente planejado e incessantemente buscado, sem esmorecimento ou desânimo. Além disso, não é um certificado de garantia de que quem o obtenha será feliz.
O doutor Lair Ribeiro define com precisão: “Sucesso é conseguir o que você quer. Felicidade é querer o que você conseguiu”. Muitos optam pelo primeiro e envelhecem desiludidos e amargos, abreviando suas vidas. Outros, apostam no segundo e terminam seus dias na Terra dando preciosas lições de sabedoria e de amor ao próximo.
Viver é, além de uma maravilhosa oportunidade, uma inigualável aventura e um enorme privilégio, sobretudo uma arte. O escritor João Guimarães Rosa coloca na boca de um de seus tantos personagens a seguinte observação: “O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim. Esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”.Este é o diferencial entre os que conseguem chegar a uma avançada idade com lucidez, produtividade e, sobretudo, alegria e os que envelhecem melancolicamente, se auto-desrespeitando e sendo alvos apenas da indiferença ou, quando muito, piedade alheias.
A artista plástica Diana Santos, entre seus inúmeros trabalhos, pintou um quadro comovedor, que intitulou “O Velho”. A figura do ancião retratado na tela passa uma magia, uma ternura, uma doçura incomparáveis. Outro dia, ela revelou que esse homem frágil e ao mesmo tempo forte, existe. Não se trata de alguma pessoa de sua família, nem de alguém que tenha tido todas as facilidades na vida para chegar à idade que chegou. Ela própria dá a identificação: “Seu nome é Domingos. Sua profissão, vendedor de vassouras. Sua moradia, de favor na casa de alguém. Seu objetivo, amar e viver, pelo homem e com o homem, por Deus e com Deus”.
Essa humilde figura, revestida de tamanha grandeza, fez com que a artista se sentisse insatisfeita somente em retratar o seu porte. A linguagem dos traços, das tintas, do jogo de luz e sombras, foi insuficiente para Diana expressar a impressão que o senhor Domingos lhe passou, a despeito da excelência do quadro. Por isso, recorreu à poesia, a esta “Carta ao homem e à vida”: “Ele usa sua sabedoria, com sabedoria. Usa sua idade com inocência. A curvatura de suas costas mostra sua experiência. Não enxerga, mas vê como se vê através da água. Seus olhos azuis brilham e amam. A dor de sua vida encara como se fosse um carinho, um presente de Deus. Sua roupa velha e surrada serve somente para cobrir e aquecer seu corpo cansado, sem cobrir sua beleza e riqueza. Sorri e conversa lhe dando amor, vida, alegria, força, fé, amizade, carinho e felicidade. Seus 80 anos ou mais trabalham com a alegria e a força que necessita para viver”.
Está aí um homem sábio que soube ser feliz com quase nada. Superou deficiências, equacionou ambições, racionalizou metas e encontrou um objetivo simples, um significado amplo para a vida. Poucos conseguem isso. Quem o diz é um dos homens mais sábios do nosso tempo, Albert Einstein, que sentenciou: “É estranha a nossa situação aqui na Terra. Cada um de nós vem para uma curta visita, sem saber porque, embora às vezes possamos prever algum objetivo”.
Felizes das pessoas que o prevêem! O cidadão Domingos, 80 anos, cujo sobrenome desconheço, descobriu o óbvio, que cientistas, filósofos, artistas e muitos gênios jamais atinaram. Ou seja, que o maior objetivo da vida é amar e viver...Simples assim.
Pedro J. Bondaczuk é jornalista e escritor, autor do livro “Por Uma Nova Utopia”
Texto publicado conforme autorização por escrito do Site Planeta News.
Foto:www.nena.com.br/Todos os Direitos Reservados.
LISON.F.R.C.

sábado, 30 de agosto de 2008

A GRANDE INCÓGNITA

A grande incógnita
A vida pode ser comparada a um caminho de sombras e luzes, cuja extensão desconhecemos e que nos conduz a um destino ignorado. É como essas trilhas perdidas num bosque, que são mais escuras nos trechos em que há grande concentração de árvores e totalmente iluminadas pelo sol naqueles em que não há planta nenhuma, a não ser um verde gramado de se perder de vista.
Caracteriza-se, sobretudo, pelo imprevisto, bom ou ruim, para os quais temos que estar sempre atentos. No primeiro caso, para usufruirmos, com alegria e encantamento. No segundo, para nos prevenirmos e evitarmos os buracos, pedras e espinhos que venham a atrapalhar nossos passos, quando não nos derrubar e nos ferir.
É nessa imprevisibilidade que reside o grande encanto da vida.. Quanto à sua extensão e destino... não devemos nos preocupar. Por que não? Porque é inútil. Porque estes são fatores nos quais não temos a menor condição de interferir e modificar.
Entre as inúmeras incertezas que temos, em relação ao universo, uma certeza se destaca, soberana e imutável: a de que o planeta que habitamos, um dia, terá fim. Não sabemos quando isso irá ocorrer, mas conhecemos “como” acontecerá. Quando o sol consumir todo seu combustível, irá se expandir, de tal sorte, que reduzirá a cinzas os planetas que o orbitam, entre os quais, o nosso, claro.
Depois, explodirá, como monstruosa bomba de hidrogênio e se contrairá, até se tornar uma anã branca. Por mais que essa estrela tenha existido, exista e venha a existir, será um tempo ínfimo, em relação à eternidade. E qual será o destino do homem?
Estará fadado à extinção, num piscar de olhos, assim como um dia começou a existir? Conquistará outro planeta, de uma outra estrela, e dará continuidade à vida? Isso, ninguém sabe, embora possa intuir. Mesmo sem o homem, porém, o universo seguirá em seu curso eterno, rumo a um destino que nossa mente jamais alcançará saber qual seja.
Não sabemos, portanto, além da duração e destino da vida e do tempo exato em que a Terra continuará a existir, se a nossa espécie irá se extinguir ou se, com sua engenhosidade e inteligência, saberá prover alguma forma de sobrevivência. Nenhuma dessas questões, porém, se constitui na grande incógnita, sobre a qual devamos nos debruçar para esclarecer.
A pergunta fundamental, que deveria ser nossa preocupação constante, é, aparentemente, mais simples, e foi feita em uma entrevista, concedida na década de 70 à extinta revista “Visão”, por Eugéne Ionesco, um dos maiores patafísicos e dramaturgos do teatro do absurdo: “Por que não nos amamos?
”Pois é. Por que? O próprio escritor romeno acrescenta: “Para isso (para nos amarmos) não há necessidade de grandes homens e de grandes doutrinas”. Não há mesmo. Ionesco, para justificar essa afirmação, lembra que essa mesma pergunta foi feita pelo principal personagem de Fedor Dostoievski, no romance “O idiota”, “em sua lúcida ingenuidade”.
Se todos estamos no mesmo barco (e estamos), se ninguém consegue sobreviver por muito tempo sozinho, se para os mínimos atos da vida dependemos uns dos outros, convenhamos, é uma extrema estupidez o fato de não nos amarmos. Mas não nos amamos, em sentido genérico. Competimos uns com os outros, os fortes subjugam e se aproveitam dos mais fracos (não somente no aspecto físico, mas no mental, psicológico, econômico e social) e em raras ocasiões conseguimos nos entender, o mínimo que seja.
Confesso que, por muito tempo, fiquei com um pé atrás em relação a Eugène Ionesco (que, apesar de romeno de nascimento, tinha fortes vínculos com a França, já que sua mãe era francesa e ele passou a maior parte da sua vida nesse país). Conhecia, dele, apenas sua principal peça, “A cantora careca”, encenada pela primeira vez em 11 de maio de 1950, no Teatro dos Noctambules, em Paris, e que originou o movimento conhecido como Teatro do Absurdo. Detestei!
Não atentei, a princípio, para a sua proposta. Achava-a maluca demais para os meus padrões estéticos e culturais de então. Ao assistir outras encenações desse mesmo trabalho, porém, aos poucos foi compreendendo suas idéias (e concordando com elas). Ionesco mostrou, sobretudo, humildade nas entrevistas que concedeu. Confessou, por exemplo, que na criação do Teatro do Absurdo, ou “anti-teatro” – que propunha a volta às origens das artes cênicas, ou seja, um teatro puro, despojado de convenções, cruelmente poético, casual e sumamente imaginativo – foi influenciado por Franz Kafka e pelo poeta e dramaturgo francês Alfred Jarry, conhecido por suas peças hilariantes e insólitos poemas.
Li, posteriormente, alguns ensaios seus e achei-os lúcidos e equilibrados, assim como os cinco romances que publicou. Vibrei, pois, quando soube que Eugène Ionesco foi eleito para a seletíssima e badalada Academia Francesa, em 1970. Foi quando passei a refletir com assiduidade sobre essa que ele classificou como a “grande incógnita humana”: “Por que não nos amamos?”. Sim, leitor, por que? Você teria uma única resposta objetiva que, em pouquíssimas palavras, desse uma, e só uma justificativa lógica para tamanha omissão? Eu, da minha parte, confesso, humildemente: não tenho!
Pedro J. Bondaczuk é jornalista e escritor, autor do livro “Por Uma Nova Utopia”
Fonte:
http://www.planetanews.com/
Foto:Nasa.
Texto publicado conforme autorização por escrito do site acima.
LISON.F.R.C.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

O MUNDO ATRAVÉS DAS LENTES DO CONSUMO

MUNDO ATRAVÉS DAS LENTES DO CONSUMO (O)

A realidade do consumir tem influenciado nossas vidas, mais do que podemos imaginar.

Ver o mundo através das lentes do consumo nos faz exigir sempre o melhor, não importa se de um produto, de um relacionamento, de um emprego ou das pessoas que amamos.
Buscar o melhor, procurar crescer, anelar excelência na vida, é certamente salutar.
Progresso, evolução, deve ser objetivo de todos na Terra.
Porém, os excessos, os desequilíbrios de tais posturas é que nos trazem grandes problemas.
Exigir em demasia, tanto da vida, dos outros, e muitas vezes - por conseqüência - de si mesmo, traz-nos distúrbios de comportamento seríssimos.
A questão é tão grave que já existe catalogação para este tipo de fobia: a atelofobia, que se constitui no medo da imperfeição.
Sem falar na ansiedade crônica, que hoje já faz adoecer o mundo com seus venenos potentes.
Tudo parece dar a entender que se faz difícil viver numa sociedade onde o sofrimento, a tristeza, os defeitos e as fraquezas não são mais tolerados.
A indústria oferece soluções para qualquer tipo de problema, e para todos os tipos de bolso.
São receitas de sucesso nas prateleiras das livrarias; pílulas da felicidade na farmácia da esquina; o corpo dos sonhos em troca de cheques a perder de vista...
Criamos uma era da perfeição de massa, onde os defeitos são vistos como erros da natureza que podem ser corrigidos, deletados, deixados para trás.
O corpo parece deixar de ser determinado e passa a ser inventado. Um corpo fabricado pelas nossas escolhas, baseadas nos padrões vigentes da época. Padrões, muitas vezes, altamente questionáveis.
Corremos o risco de deixar de ser aquilo que somos para nos transformarmos em um corpo sem marcas, sem história, sem humores. Em mera imagem.
Mas se não é bem essa sua intenção, experimente olhar o mundo através de lentes não viciadas em cânones ou padrões.
Este olhar o mundo passa por olhar-se, em primeiro lugar.
Carl Gustav Jung, psiquiatra suíço, foi muito lúcido ao dizer: Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta.
Este é o momento de despertar. Despertar para os valores mais nobres da vida, e finalmente colocar nossa embarcação alma no rumo da felicidade verdadeira.
Nestes valores fundamentais estão a paciência, a compreensão das dificuldades e limitações do outro e nossas.
Está a compaixão – virtude de vivência dinâmica – que estende a mão ao próximo, para que cresça junto.
Está a resignação – virtude que aprende com a dor, retirando dela as lições preciosas que sempre traz, evitando a revolta e a negação.
A lei maior do progresso nos coloca na direção da perfeição, naturalmente, mas dessa perfeição que vem sendo construída de forma gradual no imo do Espírito.
Desejá-la de forma fácil, conveniente, e da maneira com que nós anelamos e achamos que deva ser, sempre será perigoso e próximo do desastre.
* * *
Evite o excesso de exigência para com os outros.

Somos seres diferentes, pensamos diferente em muitas ocasiões, e por isso, exigir que as pessoas tenham o mesmo ângulo de visão que o nosso, para tudo, é absurdo.
O diferente está ao nosso lado por razões especiais. É com ele que aprendemos inúmeras virtudes, é com ele que crescemos e alcançamos a nossa gradual e certa perfeição.

Redação do Momento Espírita com base no artigo Você não é perfeito, de Elisa Correa, publicado na Revista Vida Simples, julho 2008.Em 28.08.2008.

Texto publicado conforme autorização por escrito do M.E.
Foto:By:Fabiola.Todos os Direitos Reservados.
LISON.F.R.C.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

NEM TUDO QUE É LÓGICO É VERDADEIRO


Nem tudo que é lógico é verdadeiro.
Autor:Dr.Flávio Gikovate.

- Se em nosso cérebro não houver espaço para acolher os fatos novos que desarrumem a nossa lógica, nós deixaremos de pensar de modo original ou perceber o novo.
Às vezes eu acredito que uma das razões pelas quais as coisas não acontecem de acordo com as nossas reflexões é porque pensamos de modo errado. Aliás, já é errado acreditar que as coisas acontecerão de acordo com o que pensamos! Pensar é um processo mais desvinculado da realidade do que costumamos acreditar. Pensar talvez seja a nossa tentativa de "adivinhar" a realidade. E isso está sujeito a erros muito graves e perigosos. Especialmente quando nos tornamos muito auto-suficientes nos nossos processos interiores e paramos de confrontá-los com a realidade efetiva.
Quando correlacionamos fatos, eles podem ter uma sequência lógica absoluta. Quando se diz que um rapaz se tornou homossexual porque passou a rejeitar as mulheres, em virtude de ter uma mãe extremamente autoritária e dominadora e um pai passivo e submisso, que ele não admirava, trata-se de uma bela explicação e que está bem de acordo com a lógica do nosso pensamento psicológico. Mas é preciso ver se isso é verdade! O fato de ser uma bela e lógica explicação não garante que seja verdadeira. Há muitos homossexuais que não tiveram esse tipo de mãe — ou pai. Em contrapartida, muitos heterossexuais tiveram uma mãe castradora. Portanto, é perigoso concluir apenas pela coerência interna dos pensamentos, sem levar em conta os fatos reais.
Pessoas inteligentes têm a tendência, desde pequenas, a desenvolver e sofisticar o pensamento lógico e a buscar a coerência entre os seus pensamentos. Elas tornam-se fascinadas por esse quebra-cabeça, esse jogo de armazenar, organizar e correlacionar idéias e fatos. A atitude é louvável e aguça terrivelmente a inteligência e o senso crítico. O que é terrível é que passam a se posicionar diante dos fatos novos da seguinte maneira: isso é verdadeiro ou correto porque está de acordo com o meu sistema de pensar; aquilo é falso ou mentiroso porque não combina com os dados lógicos acumulados em meu cérebro. Isso é mais grave do que se possa pensar, pois as pessoas são obrigadas a recusar todos os fatos novos que não se encaixam com os já catalogados. Qual o resultado disso? O sistema de pensar se torna fechado. A partir daí não há possibilidade de novos avanços de grande peso. A pessoa, às vezes muito moça, já se tornou velha porque é refratária às novidades.
Ser jovem de cabeça é ter o espírito aberto. E isso significa estar disposto a prestar atenção em coisas que não são lógicas. Isto é, em coisas que não estão de acordo com o que já sabemos. Aqui vai outro exemplo, de um fato pessoal que marcou definitivamente minha vida e meu modo de pensar. Eu tinha uns 18 anos de idade e, durante minhas férias em uma estação de águas, havia presenciado uns experimentos com telepatia que me deixaram perplexo e confuso. Porém eu não tive dúvidas de que o fenômeno existia. Voltando para São Paulo, fui conversar com meu pai. Ele era um grande médico, muito culto e respeitado por todos que o conheceram. Eu lhe disse: "Telepatia existe mesmo". Ele me olhou de modo severo e falou: "Besteira, isso não existe". Eu retruquei: "Existe sim. Eu presenciei e tomei toda cautela para me certificar de que aquilo não era um truque". Ele respondeu de modo categórico e definitivo: "Isso é um absurdo! É lógico que telepatia não existe". Ou seja: aquilo que não cabia no seu sistema lógico não podia existir! A lógica, para ele, valia mais que a realidade. Se a realidade não combinasse com suas reflexões sobre a vida, que se danasse a realidade.
Meu pai era um homem de inteligência extraordinária. Você não imagina como me entristece constatar que esse modo de utilização do cérebro torna todo o esforço mental repetitivo e pouco produtivo. A negação da realidade e a falta de espaço para fatos novos que contradigam nossas convicções nos tornam pessoas incapazes para criar e também para captar as novidades que os outros estão criando. Sim, porque toda nova idéia ou novo projeto deriva de um "absurdo lógico". Chegamos perto do novo quando ousamos pensar, em oposição ao pensamento oficial ou à lógica oficial. Galileu percebeu que a Terra não era o centro do universo porque ousou pensar de modo original. É verdade, também, que nem todo pensamento original e fora da lógica é criativo e útil. Mas a realidade está aí para fazermos o teste final. O verdadeiro é o que se confirma nos fatos e não nos nossos pensamentos.
Texto publicado conforme autorização por escrito do Instituto de Psicoterapia de São Paulo.Todos os Direitos Reservados.
Foto.www.nena.com.br/Todos os Direitos Reservados.
LISON.F.R.C.