sábado, 5 de julho de 2008

ESSE NOVO HOMEM -SAINT-MARTIN-



VEDE POIS ESSE NOVO HOMEM,
em meio a sua solidão, ora errar pelas veredas distantes, ora sentar-se tomado de amargura e verter torrentes de lágrimas, ora ficar absorto na profundeza de seus pensamentos, sempre gemer, sempre desejar, sempre esperar os momentos de consolação e de triunfo que lhe são anunciados, sempre orar para que sua presença não enfraqueça apesar da austeridade do deserto, apesar da precariedade de sua alimentação e apesar das duras provas que ele deve sofrer a todo instante; vede-o ao mesmo tempo se defender sempre por meios simples e sempre colhidos no amor e no respeito que ele tem para com o seu DEUS.
Com efeito, toda vez que um objeto qualquer se apresenta em seu pensamento e tende a fazer nele nascerem desejos, por legítimos que sejam em aparência, antes de ceder a esse objeto ele se volta para DEUS e diz:
Eu senti que meu DEUS era o princípio de todas as coisas, que não existia nada que não se recebesse dele sua força, suas propriedades, suas virtudes e todo o seu valor e, portanto, jamais devo me decidir a entregar meu pensamento e meu coração a nenhum objeto antes de ter verificado se meu DEUS tem em si algo desse objeto para manifestar em mim; pois, se ele tem em si algo desse objeto para manifestar em mim, eu seria insensato se não me dedicasse exclusivamente a ele, porque qualquer outro objeto é apenas secundário e não me pode oferecer senão uma alegria passageira e limitada, como é a essência particular desse objeto, ao passo que, fazendo uma aliança exclusiva com o meu DEUS, eu encontrarei nele todos os objetos secundários que existem fora dele, ainda que por ele, e os encontrarei aí numa existência durável, permanente e universal, porque lá eles estarão ligados à fonte eterna e imperecível que os criará e gerará conitinuamente e sem que eles possam jamais cessar de existir e de me encher de alegrias e deleites.(**).

(**)Louis Claude de Saint-Martin.,O Novo Homem pág.161/162.
Foto: By:Bany Sankys.

LISON.F.R.C.

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